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A primeira mensagem entre computadores em rede faz 57 anos: a história do 'LO'

Profissional concentrado diante de tela com linhas de código

Eram cerca de 22h30 de 29 de outubro de 1969, no horário da Califórnia. Em um laboratório da Universidade da Califórnia em Los Angeles, a UCLA, o estudante e programador Charley Kline se preparava para fazer algo que ninguém tinha feito: entrar, a partir de um computador, em outro computador distante, pela nova rede experimental chamada Arpanet. Do outro lado, no Stanford Research Institute, o SRI, a centenas de quilômetros dali, o programador Bill Duvall acompanhava por telefone. Em 29 de outubro de 2026, esse episódio completa 57 anos e continua sendo o ponto de partida mais citado da história da internet.

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Duas letras e uma queda

O plano era simples: digitar a palavra "login" e ver se o computador do SRI respondia. Kline digitou o "L" e perguntou pelo telefone se tinha chegado. Chegou. Digitou o "O". Também chegou. Ao digitar o "G", o sistema do outro lado travou.

A primeira mensagem trocada entre dois computadores da rede foi, portanto, "LO". O professor Leonard Kleinrock, que supervisionava o trabalho na UCLA, costuma lembrar a coincidência com a expressão em inglês "lo and behold", algo como "eis que". Cerca de uma hora depois, o problema foi corrigido e o login completo funcionou.

Os equipamentos envolvidos eram um computador SDS Sigma 7, na UCLA, e um SDS 940, no SRI. Entre cada um deles e a rede havia uma máquina dedicada, o IMP, espécie de antepassado dos roteadores, responsável por dividir os dados em pacotes e encaminhá-los.

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Uma rede experimental financiada pela pesquisa militar

A Arpanet foi financiada pela agência de projetos de pesquisa avançada do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, a ARPA. O objetivo prático era permitir que centros de pesquisa compartilhassem recursos de computação caros e escassos.

A grande novidade técnica era a comutação de pacotes. Em vez de reservar uma linha exclusiva durante toda a comunicação, como acontecia no telefone, a rede dividia as mensagens em blocos pequenos, que seguiam de forma independente e eram remontados no destino. A ideia permitia usar melhor os circuitos e tornava a rede mais resistente a falhas em um trecho.

No fim de 1969, a Arpanet já ligava quatro instituições: UCLA, SRI, a Universidade da Califórnia em Santa Bárbara e a Universidade de Utah. Nos anos seguintes, cresceu para dezenas de centros de pesquisa nos Estados Unidos.

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Da Arpanet à internet

A rede experimental foi o laboratório de muitas tecnologias que hoje parecem naturais. O correio eletrônico entre máquinas surgiu nela no início dos anos 1970. Protocolos de transferência de arquivos e de acesso remoto também.

O passo decisivo veio com a necessidade de interligar redes diferentes, e não apenas computadores. Dessa busca nasceu o conjunto de protocolos TCP/IP, que a Arpanet adotou oficialmente em 1º de janeiro de 1983. A partir daí, redes distintas passaram a conversar em uma linguagem comum, formando uma rede de redes, a internet.

A própria Arpanet foi desativada em 1990, quando outras redes acadêmicas e, depois, comerciais já tinham assumido seu papel. A web, com páginas e links navegáveis, só surgiria no início da década de 1990, como um serviço criado sobre essa infraestrutura.

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O que o "LO" ainda ensina

O episódio de 1969 costuma ser contado como curiosidade, mas guarda lições que continuam atuais para quem trabalha com tecnologia e serviços conectados:

Do laboratório com dois computadores a uma rede que conecta bilhões de aparelhos, a trajetória começou com uma palavra incompleta.

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Respostas rápidas

Qual foi a primeira mensagem enviada pela Arpanet? Foram as letras "LO". A intenção era digitar "login", mas o sistema do computador de destino travou depois das duas primeiras letras, em 29 de outubro de 1969.

A Arpanet é a mesma coisa que a internet? Não exatamente. A Arpanet foi uma rede experimental que serviu de base para a internet. A internet se formou quando redes diferentes passaram a se interligar com o protocolo TCP/IP.

Quem participou da primeira transmissão? O programador Charley Kline, na UCLA, sob supervisão do professor Leonard Kleinrock, e o programador Bill Duvall, no Stanford Research Institute.